Dói por dentro, falta aqui fora

Perdas nós temos a todos os momentos. Era previsível que eu ia perder esta batalha já faz algum tempo… Agora eu cansei de batalhar, de correr, de tentar ser alguém novamente. Perdi de vez o motivo de sorrir que eu havia criado. Já não mais amor, nem era paixão já faz algum tempo, apenas sei que o que eu sinto é tristeza de não ser olhado como eu sempre olhei para aquela que julguei ser mais que alguém na minha vida.

Julgamos a todos os momentos o feio, o bonito, o certo e o errado, o que queremos e o que não queremos… Julgamos nós mesmos nos erros que cometemos apontando eles em outras pessoas e assim vamos desenvolvendo a cultura do medo que nós persegue. Medo das perdas, de doer.

Quando há a felicidade, de um momento para outro ela se pode tornar tristeza, tristeza de ser ignorado, trocado… De se sentir um nada neste momento.

Se isso tudo que andei passando foi uma prova, confesso que eu desisto porque cansei. Preferia partir a uma nova vida agora do que continuar sentindo isso que eu tenho hoje… Não é algo forte, é algo agora vazio, sem preenchimento, e quem eu acredito que conseguiria preencher tudo de volta, não, não está mais aqui, já havia partido há algum tempo e não acredita nisso.

Caso eu pudesse voltar no tempo pelo menos um mês, acho que poderia mudar algo… Mas não, o que passou já passou, está registrado na memória e ela não pode mais ser apagada, apenas recriada, vivida de outra forma.

E eu aqui ainda espero que mesmo assim o que falta aqui fora e o que me faz doer por dentro volte. Espero a minha vez, pacientemente, como sempre esperei.

Apelos

Leia mais uma vez as minhas poesias
Tente me entender

Faça mais um gesto carinhoso
Vou tentar sorrir

Volte para seu estado lúdico
Saia deste mundo que entrou

Pare com os versos
Mas cansei também das prosas

Esse sou eu
Perdido, cheio de apelos

Espaços em Branco

As gotas de chuva são minhas lágrimas
Quando pensar em você e não ter o que dizer
Falar apenas que a nossa amizade é verdadeira
Seriam verdades essas coisas
Espaços em branco podem ser deixados
Não pense que eles podem ser curados
Se um dia sua via foi alegria
Apenas mostre que o sol estava escondido e sorria
Penso em você, Sinto por você
O sentimento de te amar não seria a melhor expressão
Mas o problema ainda não está no “não”
Este mundo de pessoas estranhas
Nascem e vivem pra tentar chegar ao topo
Mas não pensam que estamos aqui fazendo papel de bobo,
Espaços em branco são deixados quando alguem se vai
Pessoas que se partem de nossas vidas
As quais não temos a oportunidade de falar que nos as amamos
Enfim, se passam anos
E continuam abertos esses espaços em branco

Márcio Henrique (2006)

Ideias

Sem ideias, sem pensamento
Sem razão, sem sentimento
Sem atitudes, sem pressentimento
Sem vida, sem acontecimentos

Passamos de ideia em ideia
Rejeitando aquilo que não gostamos
Aceitando o que achamos bonito
Perdoando os desesperados

Não temos atitude
Não temos coragem de dizer que sim
Muito menos coragem para logo dizer não

Nem acredito mais em mim
Apenas continuo sendo assim,
Um qualquer, tipo eu.

Apenas pensamentos, desejos, perdas.

Acordamos, passamos o dia fazendo as mesmas coisas, a mesma rotina, voltamos e dormimos. Somos pessoas iguais, temos desejos iguais, problemas iguais, medos… tantos medos: Medo de perder, de ganhar, de não ser aceito, de não ter aquilo que desejamos.

Precisamos tirar às vezes tudo aquilo que está dentro da gente e escrever, falar, cantar, seja lá qual for a forma de expressão, devemos nós expressar, afinal mudos não devemos ficar em certas circuntâncias.

Devemos controlar nossos pensamentos, às vezes sim explodimos, nada e nem ninguém é perfeito. Às vezes começamos a desistir daquilo que nós faz bem exatamente quando aquilo começa a nós fazer mal, e isso nós deixa desesperados, nós torna pessoas que não somos em busca de algo que não existe na realidade.

Penso eu, em longo de tantos anos, não consegui nada do que realmente desejara por simples motivo de orgulho: Hoje vejo que não é apenas isso. Talvez seja porque algo superior não quis que fosse, que eu devesse aprender com meus erros de vidas passadas coisas que fiz com outras pessoas. Não é a primeira vez que sofro pelo mesmo motivo mas desta vez pelo sentimento que é master e único desta vez, diferente dos outros. Sentimento de arrependimento de algo que foi de fato recíproco durante tanto tempo e hoje não passa de meras coincidências e talvez sorte do que aconteceu.

Se me perguntarem se estou desesperado, a minha resposta com certeza será sim. Desesperado em saber que tantos anos se passaram, agora que eu encontrei aquilo que achava e julgava ser o certo, na verdade eu estava errado o tempo todo. Não sei se sinto tristeza ou se sinto vergonha de mim mesmo por ter feito tanto para ser tratado como algo sem valor. Sem valor comercial, sentimental e muito menos moral.

Choro pelos cantos, peço perdão a quem não devo, me desculpo de culpas cometidas e continuo cometendo os mesmos erros: Erros de correr atrás daquilo que sempre será somente uma ponta de esperança feita por mim mesmo de algo que vale nada na verdade. Espero que eu esteja errado.

Depois…

“Esse pode ser o ultimo dia de nossas vidas, ultima chance de fazer tudo ter valido a pena. Diga sempre tudo que precisa dizer, arrisque mais para não se arrepender. Nós não temos todo tempo do mundo e esse mundo já faz muito tempo.” – Pitty