Dia 9, Setembro.

Fiquei preso em meus pensamentos, os mais diversos possíveis e que não poderia imaginar antes. Senti um vazio por alguns instantes, fechei meus olhos e vi que aquilo tudo que passou estava aos poucos saindo e morrendo dentro de mim. Na verdade, morrendo não mas sim sendo ocultado aos poucos e começando a ficar cheio de poeira enquanto novas antigas pessoas recomeçam a tomar à frente na minha vida. Achei que teria me esquecido de muitos deles mas não, sempre estiveram ali com o mesmo sorriso, com a mesma disposição e com o mesmo velho humor de sempre. Voltei a pensar naquilo que até um certo tempo julgava como a minha felicidade plena, olhei novamente as fotos, os textos, as lembranças, as mensagens… Posso parecer uma pedra meio lapidada às vezes mas por dentro o diamante é derretido mas ferve como lava, quente, parado, pulsando. Senti por um instante que alguma coisa estava a acontecer, não estou disposto a abandonar ninguém nesta altura do campeonato, seja lá quem for. Abri os olhos e sussurrei a mim mesmo: “Muitos dizem sim a todos os momentos, mas porque sim, ou seria melhor se perguntar… porque não?” – completo em pensamento – “um sentimento que fora criado não deverá ser simplesmente retirado de dentro de nós e jogado fora, seria um capítulo de uma novela chamada vida, seria eu e quem está a minha volta apenas coadjuvantes ou atores principais?”. Peguei meu telefone e digitei uma mensagem perguntando o que estaria a acontecer naquele momento pois sentira que não estava em uma situação agradável e precisaria de mim. — Fechei os olhos. Respirei forte, fitei meus olhos na agenda e procurei aquele nome que outrora me fizera suspirar e enviei. A resposta não tanto tempo durou para chegar, era negativa porém com um tom hipócrita — “Te procurei e você me ignorou, agora quer que eu fique mendigando a sua amizade”. — observo, paro a respiração por alguns instantes ligo pra ela. Chamada rejeitada quase no mesmo instante seguida de uma desculpa qualquer para não atender via mensagem. Aos poucos vou compreendendo o que se passa e dou minha carta final: “Quer ser um capítulo apenas de uma vida, um personagem que apenas entra e vai embora, assim, do nada? Espero que não. Estou de mãos estendidas a você neste momento, se precisar, esta é a hora, mas pense de coração pois as oportunidades terá uma hora que não haverão mais e amanhã nem poderá mais existir, agora depende de você aceitar ou rejeitar a ajuda, o orgulho pode ser mais forte mas quem gosta de alguém de verdade nunca o abandona, seja pai, mãe, irmão, amigo ou o que for”. Os olhos se enchem de lágrimas, me deito depressa, ofegante.

Dia 8, Setembro.

Estava aqui a pensar o porque as pessoas só dão valor nas outras quando elas as perdem. É o que parece que está acontecendo. Ontem à noite recebi uma mensagem — “Então é assim, eu vou saindo aos poucos da sua vida?”— e parei por uns instantes e me veio um flashback na cabeça pensando sobre os meus últimos 14 meses que passaram e veio a imagem de mim mesmo parado num campo cinzento e uma luz, esperança, a rodear. Então respondi — “Agora está na hora de eu procurar a minha felicidade pois já abdiquei dela muitas vezes para ver a sua felicidade e dizem que quem a gente ama de verdade, a gente quer ver feliz mas hoje eu preciso do meu tempo e do meu espaço de volta pois as coisas mudam, o tempo muda e nós não somos mais os mesmos e não conseguirei mais voltar ao que eu era, estou machucado e preciso me curar e isso o tempo que vai dizer o que acontecerá e enquanto isso penso que o que for verdadeiro, vai durar para sempre e apenas se afasta, já aquilo que não é, vira apenas lembrança e se restar a saudade, valeu a pena.” — então o silêncio foi continuo nas horas seguintes até o presente momento. E é o silêncio que às vezes corrói e que às vezes muda o que estava errado, mas ele traz dor no início mas como toda dor, tem um limite e ela para de ser sentida e assim, ela acaba junto com o silêncio, o tempo e as atitudes. Seria assim que vai mesmo sair da vida? Posso mais dizer nada, devo rezar, sorrir e contar com quem está ali do lado. Felicidade é temporária e cada um tem a sua. Então ouço “Antes das Seis” e ao som das cordas diversas fico confortável porque inconseqüentemente ela explica o que realmente aconteceu. Então, “Por Enquanto” a saudade se resume em uma música: “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre, sempre acaba”. Vamos voltar pra casa? Aos poucos voltando a ver o sol, a tempestade acabou dentro de mim.