Não, pare. Não pare.

Você é o meu ópio e meu extasy.
Me dominou entre palavras
Jugou-me como errado
Ateou-me fogo enquanto empurrava pela janela
Lá do último andar que lhe fora permitido
Alucinou e me fez ver o que não queria
Maltratou a minha mente e alma
Adeus o que era puro, agora virou nada
Um buraco negro que se afunda
Enquanto isso eu já me encontrei de novo
Acolhido por algo confortável e iluminado
Não preciso de artifícios nenhuma, agora mais
Perdi a paciência com o incrédulo
Me livro da marionete de pregos
Grudados em minhas mãos com linhas de nylon
Não sufoque o que renasceu
Tente não matar o que criou, de novo
Respire, mudou. Acorde do sonho da realidade
Faça valer a pena e largue de ser uma droga

Dia 12, Setembro.

Socorro, me colocaram uma venda e não consigo mais enxergar nada. As ultimas coisas que me lembro era enquanto ainda estava ali dentro de mim e nada mais aconteceu. Apenas meu corpo e minha mente se separaram por aqueles instantes e eu não mais estaria ali.

Acredito eu que não estivera mais ali neste mundo, foi algo tão diferente e tão complexo que não conseguirei nunca explicar, apenas pelo intermédio do que eu senti que posso tentar dizer o que aconteceu de verdade mas na verdade nem sei ao certo o que aconteceu, isso é, se realmente o que eu digo é a realidade.

Me colocaram cordas, amarraram-me em uma cadeira frágil qualquer e atearam fogo em mim e em minhas esperanças naquele dia. Agora não sei mais o porque ainda continuo aqui preso neste lugar, sem destino, sem uma lição e sem mais nada do que eu possa fazer para tentar me reanimar.

Sou um corpo, ou melhor, uma alma qualquer que vaga pelo mundo que canta poesias, que se cria através de prosas, que vê em objetos naturais um refúgio qualquer mesmo sabendo que não deveria mais estar por aqui.

Me joguem em um buraco qualquer, onde tenham luzes fracas mas da maior intensidade possível, queime meus últimos recados e me faça renascer mais uma vez, imploro por perdão da vida, imploro por aquilo que não tenho feito mais e gostaria de ter mais uma vez, por mais que eu não considere isso tão bom pra mim.

É uma carta qualquer, um gesto qualquer que passo que sinto, que sobrevivo, talvez não tão vivo assim. Poderia ser mais que isso mas eu pedi que fosse assim no final das contas. Aquelas cordas e aquela venda em meus olhos foram pedidos de mim a mim mesmo num último respiro de liberdade antes de me vender para o mundo e fazer mil e uma maluquices que me derrubaram, me quebraram, jogaram no chão como um indulgente qualquer. Pobres coitados, além de mim.

Pobres de alma, podres por dentro, com germes que consomem a sociedade sem saber. Eu sou você e eu sou todos nós ao mesmo tempo, eu sou um padrão imposto pela mídia, sou um homem que segue conceitos de séculos atrás e ainda acredita que estou certo de tudo e esqueci o quanto mudamos com o passar das horas, dias, meses e anos.

Queria mais, queria liberdade e quem me mandou pensar? A liberdade de quem pensa é a morte, ainda mais quando se está desacompanhado ou te acham qualquer coisa sem dar o seu devido valor. Penso, logo tento existir, tento refletir, pensar de verdade mas não, me colocaram venda, atearam fogo, me esqueceram num lugar escuro de uma marginal qualquer de rodovia interestadual só para ignorar a minha existência e o meu pensamento, minha força e minha opinião que tanto incomodou aqueles que critiquei num momento por mais que fosse oportuno.

Modas e vícios, estou corroendo cada hora mais, me salve antes que o que me restara de mente suma, pois meu corpo está apodrecido e consumido pelos germes. Meu apelo para meu último adeus antes de partir de verdade, antes de dizer que não a amei, antes de escrever meu ultimo verso dizendo um até breve.

no title

We’ll do it all, everything, on our own. We don’t need. Anything. Or anyone.
If I lay here, if I just lay here. Would you lie with me and just forget the world?

— Chasing Cars, Snow Patrol

Porque algumas pessoas simplesmente mudam?

Algumas coisas andaram mudando ultimamente e isso é visível.

Por mais que de uma forma ou outra eu tenha perdido uma esperança, outra reapareceu — afinal nunca tivera sido apagada ou deixada de lado — e, eu confesso que estou me sentindo mais confortável quanto a isso.

Parece às vezes meio estranho dizer isso como se fosse em um diário, assim abertamente, mas é algo que eu gostaria de compartilhar sem muitas palavras. Coisas simplesmente acontecem na vida da gente e temos que aprender a lidar com elas, afinal temos que esperar a nossa vez e esta vez às vezes demora muito tempo, de vez em quando parece até não chegar.

Por enquanto a regra é curtir e aproveitar, tanto o momento bom que começou a ser proporcionado quanto a si mesmo. Não é querer ser egoísta mas é querer olhar pra si mesmo. Não colocarei defeitos e nem qualidades em mim, afinal quem diz sobre si mesmo nem sempre pode estar falando a verdade, pois a verdade de cada um varia de pessoa para pessoa. O que posso dizer é que, aos poucos, me sinto mais feliz.

Vamos sorrir mais? Farei a minha parte 🙂

Não o mesmo

Sabe o que seria
Se todos fossemos os mesmos
Que vantagem teria
Seria tão de menos

Buscamos ser diferentes
Ou apenas copiamos alguém
Para tantas mentes
Continuamos sendo outrem

Quer mesmo que eu volte
Ser alguém sem esperança
Tenho um plano em mente

Não serei o mesmo
Quero ser novo
Isso não deve ser péssimo.

10V3

Paro e penso
Penso, dispenso?
Guardo e me contenho

Olho de novo
novo agora
amanhã uma supresa

Me surpeendeu
Continuo sem esperar nada
Quero surpreender-me de novo

O novo de novo,
penso não mais dispenso
sorrio surpreso

Sonho de criança

Acorda de madrugada, chorando.
Sente falta, sobra espaço.
Aguarda, e repete.

Será que repete mesmo?

Medo, eram sombras.
Felicidade, viu outro alguém.
Cansado, volta a dormir.

Ou seria que estava com dor?

Amor, do abraço.
Carinho, da mãe.
Aconchego, do berço que foi tirado.

Cresceu. Tudo mudou.
Esquecera de muitas lembranças para dar lugar ao novo.