Perdi meus pensamentos pensando demais

Dê-me um violão e me deixe tocar durante alguns instantes. Estou pensativo demais sobre muita coisa que nem ao menos sei o que pensar. A cabeça anda confusa e eu ando depressa demais.

Ouço músicas antigas, vejo rostos novos mas não tenho a capacidade de me expressar corretamente. Queria mais, tenho apenas o medo de que aconteça algo do passado novamente. Me retraio, sento abaixo de uma árvore no pé de uma colina pequena e fecho meus olhos numa tarde com um sol e céu azul e acordo novamente em sombras e trovoadas mas sem chuva alguma e a cada respiro que dou bate uma nova leva do vento em meu rosto, já pálido.

Critico as atitudes minhas próprias sem experimentar o certo e sem querer acabo querendo experimentar aquilo que antes eu dizia que não.

Ouço violinos tocando de longe, longe de onde estou pedindo para que eu os siga mas na verdade quanto mais ando mais vou retrocedendo no tempo e voltando para o mesmo lugar onde disse uma outra vez que parei. Parei meu pensamento e estou aqui pronto para que ele volte para mim de uma forma ou de outra.

Fecho meus olhos e volto aos pés daquela árvore com o sol clareando o caminho. Lembro que me perdi pensando demais dentro de meus pensamentos mais diversos e não sei mais onde estou. Mas estou aqui e sempre estarei. Estarei em busca de algo ou alguma coisa que me faça sorrir – de novo.

Calma!

O Brasil está mudando, está lutando e está nas ruas. Saiu da internet que prendia muitos de nós e ao mesmo tempo mostrou o quanto somos ignorantes. Estamos saindo às ruas sem saber ao menos os porquês das lutas que estamos vendo na televisão, tipo a tal da PEC 37. Eu mesmo não sei o que diabos é isso direito e apesar de eu ler e reler coisas que querem explicar o que é isso na realidade mas eu não entendo, então não lutarei nem contra e nem a favor, serei imparcial.

Enquanto isso às outras lutas que muito vejo na televisão elas já perderam a lógica algumas vezes. É um sonho que eu diria utópico em qualquer lugar do mundo que acabe a corrupção, por exemplo. Já disse anteriormente que o maldito jeitinho brasileiro só nós atrapalha na maioria das vezes, mas tem uma coisa que acabei não citando que é justamente esse jeitinho que foi adquirido dos europeus, vem de longas datas e está marcado no sangue nosso.

Não vou a nenhum dos protestos, primeiramente porque eu não gosto de locais onde tem muita gente aglomerada, e depois porque eu sei que tem muita gente lá para fazer merda. Merda de verdade, como destruir tudo o que vem pela frente. Ai sim eu diria que é o verdadeiro gigante que tanto dizem, um gigante que arrasa. Lembro das formigas que são minusculas mas trabalhando unidas conseguem fazer um formigueiro funcionar, cada uma fazendo a sua parte. Não precisamos ser gigantes para nós mostrar, basta ser nós mesmos.

Hoje acordei sem vontade de dar bom dia aos meus amigos, coisa que os mais próximos sabem que é comum – sempre mando uma SMS/WhatsApp para cada um deles. Deixei para fazer isso depois que passei pelo Eixo Monumental, em Brasilia. Os rastros de ontem me deixam realmente triste e decepcionado com aqueles que contribuíram no caos no local onde eu simplesmente mais adoro nesta cidade e que é, inclusive, o local onde tenho mais fotografias nesta cidade.

Espero que as pessoas que fazem isso tenham calma e vejam tudo duas vezes antes de fazer. Eu ainda continuo com a minha opinião que dependendo do rumo que tudo toma, não terão ganhadores e nem perdedores, apenas lágrimas nos olhos daqueles que tanto querem algo melhor, seja lá manifesto que seja o seu.

Acorde Brasil, mas não vá para as ruas para postar fotos no Facebook que você estava lá, vá para as ruas para mudar o seu pensamento fechado e abrir para ver todos os lados da moeda e daquilo que você tem como ideologia. Pode ser de uma causa que envolverá toda a humanidade, pode ser a causa de você querer ser respeitado pela sua sexualidade, pode ser pelo direito de se expressar. Eu continuo aqui, sentado em minha cama pensando o que eu seria de verdade, mesmo algumas pessoas tendo me classificado como um burguês alienado – e eu confesso, até que gostei dessa expressão que remete à Marx. Boa sorte povo brasileiro. Vamos precisar dentro ou fora de qualquer manifesto ou aglomeração onde tenham ideologias sendo discutidas.

Ok, e dai?

Estava aqui a pensar, depois de ter passado o dia inteiro praticamente em meu quarto, o que foi o menos pior destes últimos anos. A cada segundo que envelhecemos, vamos percebendo o quão idiotas ou o felizes foram os momentos ou atitudes que foram tomadas. Eu, uma pessoa que por exemplo dizia ter um coração aberto há 1 ano atrás, hoje já não é bem assim, aprendi a me mudar por causa de situações das mais diversas desta parte da vida. Também observo que o jeito moleque desbocado não vai se desgrudar tão cedo e até prefiro que não fique longe de mim isso, afinal ser adulto às vezes pode incomodar muito a muitas pessoas quanto a si mesmo. Perder a noção da inocência das coisas.

Calculamos horas, dias, segundos, minutos. O tempo passa e para mim ele continua sendo apenas uma mera unidade de medida imposta pela sociedade, afinal temos de ter um tempo para cada coisa que na teoria é importante e deveria ser feita. Falando em urgências e tempos, fui aprendendo que tudo o que é urgente, na verdade não é tão urgente assim, é apenas uma irresponsabilidade passada de mão em mão para ver se alguém, algum idiota, pega essa batata quente para queimar a mão. O que é urgente de verdade, a gente não se preocupa o quanto deveria se preocupar, apenas ignoramos.

Fazer algo diferente, que nem uma frase que ouvi num seriado e adoro repetir ela: “vem, prometo que vai ser legal! Bom… na verdade não, mas pelo menos uma vez na vida vamos fazer algo totalmente diferente”. Quem sabe a diferença mesmo não está no dia-a-dia e nas pequenas atitudes. Ser alguém poderoso, afinal, significa nada. Significa, sim, na verdade: Poder é uma bosta, você se acha muita coisa e na verdade não é nada. E é assim que muitos adultos queiram que nós que estamos virando adultos também comecemos a nós portar, uns poderosos, se é que você me entende.

E assim caminha a vida, a passos lentos, contando com coisas que outros homens andaram impondo para nós até chegar no que somos.