Dia 15, Setembro.

Minha, meu. Independente do que eu pense, hoje vou sorrir mais uma vez. Meu rosto inchado do último tapa que me deste e ainda com as marcas de seus dedos ainda me sinto acariciada por tudo isso como se esse calor na verdade fosse seu e não aquele produzido por mim.

Loucura? Loucura seria se eu tivesse colocado fogos em todas as partes perto de sua casa para te acordar mais uma vez de noite assustado com a lembrança de nosso último setembro na beira de um lago segurando aquelas velas especiais que víamos o reflexo na água.

Não fui contida pela lágrima maldita que insistiu em descer da lembrança mais profunda e que eu finalmente me despedi diversas vezes e busquei a felicidade. Meus pés descalços estão novamente caminhando sob as árvores recheadas em flores amarelas gritando com o meu eu interior.

Mandei um beijo para o vento, levitei sobre a grama não mais tão verde e observei os vazios de uma noite iluminada por apenas um poste qualquer na rua perto de meia-noite, meia vida para mim? Sentei-me em um balanço que estava indo e voltando sendo empurrado pelo vento porém comigo em cima nada mais aconteceu. Estava ali novamente e só.

Me sinto feliz, me sinto com um vazio, não me sinto mais. Será que chegou o momento de simplesmente achar que metade de mim se desfez quando acreditei na alegria e que havia me libertado de tudo que havia feito antes? Bobagem.

p.s.: preciso fechar meus olhos da realidade

Dia 14, Setembro.

Para você. Mais uma vez.

Sinto felicidade e sinto ódio de mim e de você ao mesmo tempo há tanto tempo que não sei mais quem sou. Já me perdi na personalidade qualquer em que vivo e que insisto em continuar. Não sinto mais amor: por ninguém, nem por mim, mais.

Observo do alto do prédio os carros passando em câmera lenta como se estivessem com um efeito bokeh em meus olhos, efeitos de miopia que foi criada em mim durante tanto tempo.

Pedi, perdi e ganhei e ignorei tanto tempo junto que nem sei mais o que sou. Eis o fato mais concreto de minha vida. Apenas gostaria de saber se realmente ainda existo mesmo tendo enfrentado de frente a Dona Morte e ter pedido a ela que me levasse diversas vezes inconscientes de mim mesma.

Meu papel quase um papiro evoluiu depois de tantos anos perdida aqui neste porão interior que sempre acreditei ser um meio perdido. Os momentos de alegria não passaram de horas felizes apenas e continuo aqui me lamentando por cada lágrima que ainda não tivera escorrido de meus olhos, aqueles que quase já não existem mais.

Meu sorriso bobo não diz nada e nem o quanto mais você pense que sou inteligente ou ignorante. Apenas me ignore e vá embora de uma só vez pois eu ainda tenho esse passado recente em minha cabeça batendo em mim a cada segundo que continuo respirando ou apenas minha alma me observa calada pensando naquilo que não fez um dia.

p.s.: não sei o que te dizer mais.