Dia 14, Setembro.

Para você. Mais uma vez.

Sinto felicidade e sinto ódio de mim e de você ao mesmo tempo há tanto tempo que não sei mais quem sou. Já me perdi na personalidade qualquer em que vivo e que insisto em continuar. Não sinto mais amor: por ninguém, nem por mim, mais.

Observo do alto do prédio os carros passando em câmera lenta como se estivessem com um efeito bokeh em meus olhos, efeitos de miopia que foi criada em mim durante tanto tempo.

Pedi, perdi e ganhei e ignorei tanto tempo junto que nem sei mais o que sou. Eis o fato mais concreto de minha vida. Apenas gostaria de saber se realmente ainda existo mesmo tendo enfrentado de frente a Dona Morte e ter pedido a ela que me levasse diversas vezes inconscientes de mim mesma.

Meu papel quase um papiro evoluiu depois de tantos anos perdida aqui neste porão interior que sempre acreditei ser um meio perdido. Os momentos de alegria não passaram de horas felizes apenas e continuo aqui me lamentando por cada lágrima que ainda não tivera escorrido de meus olhos, aqueles que quase já não existem mais.

Meu sorriso bobo não diz nada e nem o quanto mais você pense que sou inteligente ou ignorante. Apenas me ignore e vá embora de uma só vez pois eu ainda tenho esse passado recente em minha cabeça batendo em mim a cada segundo que continuo respirando ou apenas minha alma me observa calada pensando naquilo que não fez um dia.

p.s.: não sei o que te dizer mais.

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